21mai 13

Crash

Como já anunciamos aqui no blog, todo fim de mês a livraria Livros & Livros, na UFSC, promove um clube de leitura. Vocês já estão todos convidados (mais informações? flyerz@gmail.com). Este mês estamos lendo o livro Crash, de J.G. Ballard. E o que isso importa para você, que não vai no clube? Bem, o livro se mostrou mais interessante do que pensávamos. De uma história de quase horror, com muito erotismo, percebemos que o autor tinha muito a falar sobre tecnologia, publicidade, e o homem, enfim. Pensei em recomendar para vocês o livro, mas achei algo muito mais interessante. Acima está um curta baseado na obra, em que o autor mesmo irá traçar a rota psicológica disso tudo que lidámos. Fetiches e comércio! Violência abstrata e real. Vendas em convergência com a alma humana. E carros! Vale a pena a curta duração. A inspiração vai tocar você nos próximos trabalhos, seja qual for o setor em que estejas envolvido.

20mai 13

BRIC’s vão superar EUA em gastos com publicidade até 2014

Segundo pesquisa, o total de gastos com propaganda nos mercados emergentes, Brasil, China, Índia e Rússia, superará a quota gasta nos Estados Unidos até 2014. É o que aponta o estudo da PricewaterhouseCoopers, intitulado “Reaching the connected consumer: Best practices in advertising effectiveness”.

O Brasil, que é hoje o sexto maior mercado da propaganda no mundo, vivenciou, na última década, o crescimento da classe média – 52% da população no país entrou na classe média, um salto de 36% em relação à última década. “É um crescimento de 8% ao ano. Isso significa que a cada ano milhões de potenciais novos consumidores entraram para a classe média, criando praticamente um novo mercado consumidor nessa classe para as empresas”.

Fonte: PwC Brasil

16mai 13

Portfólio | Penguin

O mercado nacional conta com diversos livros de administração e negócios, mas normalmente voltados mais para os estudantes de graduação, ou para o funcionário diletantes. Não tínhamos um selo que levasse a sério o público de empresários, administradores e gestores, como temos, por exemplo, a Revista Exame nas bancas. Surge agora algo que promete elevar o nosso padrão nas livrarias.

Estamos falando da chegada ao país de um importante selo internacional. Principal divisão de livros de negócios da editora mais conhecida do mundo, a Penguin, o selo Portfolio desembarca de olho numa fatia de um dos segmentos que mais crescem no mercado editorial brasileiro.

De acordo com dados levantados pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), o setor de livros de administração, economia e negócios teve expansão de 50% de 2011 para 2012. De um ano para o outro, o mercado cresceu o equivalente a 2 milhões de livros.

“Há dois anos descobrimos que o Brasil era um dos maiores compradores de títulos de economia e negócios das editoras americanas e vimos aí uma oportunidade”, diz o publisher do Portfolio-Penguin, Matinas Suzuki Jr.

O Portfolio-Penguin estreia com dois títulos, o volume “Os Limites do Possível”, primeira coletânea de ensaios do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, e “Clique: como Nascem as Grandes Ideias”, do empresário norte-americano Frans Johansson.

Entre os 14 demais títulos já anunciados estão os próximo livros de Alan Greenspan, ex-presidente do Fed -o banco central americano-, e de Alvin Roth, Prêmio Nobel de Economia de 2012, além de obras como “A História do Twitter”, do jornalista norte-americano Nick Bilton.

A Criação recomenda para os seus leitores, e em breve faremos uma resenha do livro Clique.

15mai 13

Momento


Centro de Florianópolis ao meio-dia de hoje.

14mai 13

Livro: Pale Fire

Terminei de ler pela primeira vez a obra-prima de Vladmir Nabokov (o mesmo autor de Lolila), o romance experimental pós-moderno Pale Fire (Fogo Pálido). O estranho romance, que tem uma estrutura bizarríssima e jamais replicada novamente pelo que eu sei, é apresentado como um romance de 999 linhas escrito pelo poeta ficional John Shade, com um prefácio e comentários surreais de um colega e admirador fanático Charles Kinbote. Além disso, no final do livro tem um índice (!!!) que é também uma nova narrativa.

Esses elementos criam um livro difícil de descrever. Parte do livro é o poema, parte do livro são os comentários dos versos (que não tem nada haver com o poema em si). Nos comentários, o Prof. Kinbote conta a história de uma nação fictícia dos Balcãs chamada Zembla, cujo rei King Charles, fugiu de uma revolução comunista. Essa trama se junta a descrição de Kinbote sobre o dia a dia da vida de John Shade durante a composição de Pale Fire, pontilhando seus comentários ácidos com articulações e críticas direcionadas a uma variedade imensa de assuntos, desde a falência da intelectualidade contemporânea, questões existenciais, sexo e obsessão, frivolidades, consumismo, crítica sociedade americana, às revoluções comunistas, etc.

O livro é muito engraçado. Os comentários do Kimbote sobre as linhas do poema (que é muito bom por sinal) não tem nada haver com o poema, existem apenas para ele contar a história bizarra do Rei Charles de Zembla.

O romance é uma coisa de doido, os temas ecoam entre si, o poema reflete os comentários que se refletem nas tramas, personagens se encontram com autores, fenômenos paranormais são causados e influenciam poetas,etc.

O estilo é impecável, as frases se alternam com ritmo e clareza, e a prosa varia entre a narrativa direta até a narrativa poética. E o narrador, totalmente não confiável, é engraçadíssimo.

Pude ver como esse livro claramente influenciou autores como Terry Pratchett e Douglas Adams. Este último usou muito dos artifícios e do humor de Pale Fire na composição do Guia dos Mochileiros das Galáxias.

É um livro difícil mas impressionante, cada frase cravada em diamantes, fantástico. Obrigatório para os admiradores de Nabokov e para quem quer ter um gostinho do que a academia considera Alta Literatura.

Newton Rocha